Tempestade de Al-Aqsa: Banho de sangue, sacrifício e convite ao suicídio

 

Para o atual “anti-imperialismo” elites russas e árabes são aliados objetivos, assim como o proletariado israelense e

americano são inimigos naturais

 

Felipe Catalani

 

A guerra na Ucrânia, que desde a invasão russa no início de 2022 produziu cerca de meio milhão de mortos [1], é acompanhada agora, no mesmo ritmo da conflagração global de um mundo à beira do abismo, por um não menos destrutivo conflito, desencadeado pelo massivo ataque de Hamas a Israel no dia 7 de Outubro. De forma assombrosa, não faltou quem celebrasse como um glorioso “levante popular” de resistência contra a opressão tal assassinato de 1.300 pessoas, que incluiu um banho de sangue em uma festa e cenas como um grupo de homens erguendo como um troféu o corpo ensanguentado de uma mulher aos gritos de “ʾAllāhu ʾakbar” (Deus é O Maior), enquanto a enfiavam dentro de um jipe. Tal felicidade incontida por parte dos que exaltaram esse mega-pogrom, que só se explica pelo gozo antissemita de ver sangue judeu derramado (a contraparte de todo ato de terror), é tão mais absurda quanto era claro e absolutamente previsível o massacre palestino que se seguiria e a imediata resposta militar de Netanyahu, que em 6 dias lançou mais bombas sobre Gaza que os Estados Unidos lançou sobre o Afeganistão em um ano, acumulando milhares de mortos de forma ininterrupta. Nos braços de crianças, ainda vivas, escreve-se seus nomes para que sejam identificadas quando mortas, sob os escombros. Se tal retaliação era previsível para quem, de longe, acompanha os “eventos”, certamente ela o era para o Hamas.

Para muitos “especialistas em Oriente Médio”, tal ação era “inevitável”, “única saída possível”, isso quando não a compararam a uma reação física ou orgânica, quase como um cachorro que nos morde a mão quando lhe puxamos o rabo — como se estivéssemos falando, de fato, de “animais humanos”, como caracterizou o Ministro da Defesa de Netanyahu, ou mesmo de um fenômeno natural, e não de uma estrutura política na qual há decisão, comando, programa e projeto. Em suma, capacidade humana de abstrair e planejar, e não somente reações pulsionais. Para compreender tal fenômeno, apareceram as explicações automáticas de sempre: 1948, Nakba (termo oficializado por Yasser Arafat em 1998), as violências e abusos cotidianos e todas as tragédias que conhecemos sobre a vida em Gaza; e como justificativa, não menos automática, a frase “não confunda a reação do oprimido…” — já convertida em clichê e repetida ad nauseam.

Tais explicações espantam pela rapidez e facilidade com que parecem ter sido aplicadas, e pela relativa tranquilidade produzida diante da acelerada sequência de catástrofes a que se assiste. Afinal, como disse uma liderança palestina no Brasil: “Gaza é como uma favela, só que uma favela que pode desencadear a Terceira Guerra Mundial”. Até podemos, como bons materialistas, recorrer às “causas materiais”: opressão, penúria, luta por reconhecimento. Mas curiosamente ninguém deu muita bola para os anúncios oficiais do próprio Hamas. Em sua “Nota à imprensa” do “Escritório Central de Mídia”, emitida no próprio dia 7 de outubro, lemos “um convite para cobrir a operação ‘Tempestade de Al-Aqsa’”, que assim se inicia:

À luz da abençoada operação militar anunciada pelas vitoriosas Brigadas Mártires Izz al- Din al-Qassam, ‘Tempestade de Al-Aqsa’, que começou esta manhã em resposta à agressão sionista contra o nosso povo, os nossos prisioneiros, a nossa terra e as nossas santidades, que não pararam apesar das advertências emitidas pelo movimento Hamas e pelas facções de resistência, de que o inimigo sionista está a brincar com fogo através da continuação dos seus crimes e das suas políticas fascistas, que visam a existência palestina e as suas santidades islâmicas e cristãs, no centro da qual está a abençoada Mesquita de Al-Aqsa, que está a ser alvo de frenéticas tentativas de colonização para a dividir no tempo e no espaço e impedir o nosso povo de rezar nela, marcando a construção do seu alegado templo.” Mais adiante, consta que “a prioridade desta operação é proteger Jerusalém e Al-Aqsa e impedir os planos da ocupação que visam judaizá-los e construir o seu alegado templo sobre as ruínas da primeira qibla [direcionamento das orações] dos muçulmanos.” [2]

Segundo uma matéria da Reuters, uma “fonte próxima ao Hamas” conta que “foi em maio de 2021, depois de uma invasão do terceiro local mais sagrado do Islã que enfureceu o mundo árabe e muçulmano, quando [Mohammed] Deif começou a planejar a operação”. Ou seja, cerca de dois anos e meio de preparação para a “abençoada operação Tempestade de Al Aqsa”, referência à célebre mesquita de Jerusalém. Segundo a fonte de Gaza, “isso foi desencadeado por cenas e filmagens de Israel invadindo a mesquita de Al Aqsa durante o Ramadã, batendo nos fiéis, atacando-os […] tudo isso alimentou e acendeu a raiva.” [3]

Não deixa de chocar a estupidez de policiais que invadem um local de culto e batem em pessoas rezando. Mas não é irrelevante ressaltar que talvez o principal motor da “Tempestade de Al Aqsa”, na medida em que é necessário também um engajamento de muita gente para topar participar de algo assim (com consequências suicidas previstas), tenha sido um sentimento de ofensa moral e religiosa — algo que escapa às nossas clássicas análises agnósticas — embora todo o caldo de humilhação e sofrimento acumulado precisem ao mesmo tempo servir como lastro. Ora, devemos lembrar que, no Brasil de 2018, apesar de todo o chão material preparado para o bolsonarismo, foram sentimentos de horror moral e indecência (mobilizados por imagens ultrajantes do adversário, mesmo que eventualmente ligadas a todo tipo de ficção possível) que se converteram em uma gigantesca força política e que mobilizaram pessoas a agir, também contra seus interesses objetivos. Em 2020, dezenas de milhares de muçulmanos saíram às ruas no Paquistão para protestar contra a reimpressão dos cartuns de Maomé pelo jornal francês Charlie Hebdo [4], que em 2015 sofreu um ataque terrorista que resultou em 12 jornalistas mortos. Tornou-se obsoleta a tese marxista da fome e desejo de liberdade como motor político da revolta? Na mesma gravação de Mohammed Deif citada pela Reuters, o chefe do braço armado do Hamas se refere a Israel como uma “orgia”. O fato de que, nessa operação complexa e minuciosamente planejada, justamente uma rave tenha sido escolhida como principal alvo de uma chacina, como local da imoralidade e da devassidão ocidental, não é um acaso.

Um ataque dessa magnitude exige uma organização, envolvendo necessariamente a elite política e econômica do “Eixo da Resistência”, que tem em uma ponta o Hamas, uma milícia cujo documento de fundação se baseia nos Protocolos dos Sábios de Sião (a mesma teoria conspiratória utilizada pelos nazistas a fim de exterminar os judeus), e na outra o regime dos aiatolás do Irã, cujo chefe de Estado nega o Holocausto como fato histórico — desnecessário dizer qual é a “abençoada missão” que os une (que é publicamente verbalizada dia sim, dia não). De todo modo, para realizar aquele massacre, é necessário um mecanismo de participação — não dos chefes da organização, que estão bastante seguros e confortáveis no Catar — mas daqueles dispostos a serem usados como bucha de canhão em um ato tanto ultraviolento quanto suicida (o maior em décadas) e que, de modo calculado, previa o contra-ataque militar de Israel, que agora busca nada menos que destruir militarmente o Hamas e fazer uma sangrenta incursão terrestre em Gaza. Entre os espectadores midiáticos da destruição, não faltam os que dela participam como torcedores ativos, dividido entre os que desejam que aquele pequeno enclave no Mediterrâneo seja transformado em um grande estacionamento e os que torcem para que Irã e Hezbollah “virem o jogo”.

A comparação do ato do Hamas com as estratégias clássicas das guerrilhas revolucionárias de liberação nacional faz pouco ou nenhum sentido. A fim de ornamentar de vermelho um ato bárbaro, evocou-se a heroica temporalidade histórica da época de Mandela, Argélia, Vietnã e mesmo de Che Guevara. Podemos estar equivocados, mas talvez o recado do próprio Hamas seja o de que a causa palestina, ao menos em Gaza, é uma causa perdida [5] — daí a disposição de oferecer de modo sacrificial a própria população em um ato militar autodestrutivo. É claro que tal niilismo amok transcende Gaza e o Hamas, e teria que ser remetido tanto a uma lógica social geral do capitalismo contemporâneo, quanto à lógica do islamismo político, que nada tem de arcaico ou pré-moderno, sendo ele na verdade um sintoma ideológico do nosso fim de linha histórico — não são raras as vezes em que se discute a questão Israel/Palestina como se aquele conflito constituísse um microcosmo histórico imune aos processos sociais gerais.

Para compreender a disposição subjetiva para tais ações, inclusive em missões diretamente suicidas como as dos “homens bomba” (que exigem, se não uma enorme dose de coragem, pelo menos a supressão daquele mais básico e instintivo medo de morrer [6]), não se pode ignorar a figura do mártir — algo presente em toda cultura militar, mas que assume uma forma própria no islamismo político. [7] Aqui, mártir não é só o que age, mas todos que são de alguma forma sacrificados também pelo ataque adversário: uma criança morta em um bombardeio torna-se igualmente um mártir. A viúva de um mártir do Hezbollah conta o seguinte a um jornalista, que passou anos viajando e pesquisando sobre o tema: “Meu marido é um mártir. Pois bem, agora ele está no paraíso. Era muito triste para ele já ter mais de trinta anos e ainda não ser um mártir. Ele estava muito triste em seu aniversário. Eu disse a ele então: não se preocupe, você conseguirá o que deseja. […] Para nós, é normal viver assim… se meu filho decidir seguir o mesmo caminho, eu o ajudarei a fazer isso.”[8] Temos grandes dificuldades de entender tal raciocínio, evidentemente. Tal ideologia só pode fazer sentido em uma situação na qual a ideia de futuro (em sentido terreno) deixou de ser um operador histórico e subjetivo, de modo que a glória simbólica do mártir possa de fato “ter um lastro”. No caso do Hamas, tal glória é produzida por uma série de práticas (anúncios televisivos, na rádio etc.) e documentos (biografias) que caracterizam tais mártires como santos que veem a vida temporal como fútil e a morte como único caminho para alcançar a existência plena de sentido.[9]

A violência que tal “ascese” permite, tão destrutiva quanto potencialmente suicida, é uma que nada tem a ver com “impulsos animais” incontrolados, como se pensa de forma estereotipada (e “orientalista”), como se se tratasse de “bárbaros selvagens” desprovidos de qualquer contenção civilizatória. Muito pelo contrário: trata-se na verdade de um excesso de abstração, uma enorme força de transcendência. Engana-se também quem imagina que os “recrutados” de tais atos são sempre pessoas “não educadas” e em situações de miséria material. Por exemplo (tomando um caso já antigo), um dos pilotos do atentado do 11 de setembro, Mohamed Atta, estudou arquitetura no Cairo e fez pós-graduação na Alemanha. Ironicamente (ou não), era um crítico do modernismo arquitetônico e não gostava dos prédios altos da capital egípcia. O mundo universitário tanto não é distante, que Ismail Haniyeh, um dos líderes do Hamas (sendo esta a organização que, entre os palestinos, mais incentivou esse tipo de ataque), chegou a ser reitor da Universidade Islâmica de Gaza. De todo modo, dizer que o Hamas são tiranos que subjugam os palestinos faz sentido, mas só até metade, pois há de se considerar que eles de fato conseguem e conseguiram construir hegemonia no território — afinal, mesmo quando falamos de “máfia” (e toda forma de rackets), não se trata meramente de um bando armado, mas de gente que efetivamente oferece proteção, inclusive social, confiança etc.

A relativização “decolonial” ou mesmo a positivação “anti-imperialista” de tais grupos é deprimente. Para além do antissemitismo de sempre (geralmente camuflado na forma de “análises” maniqueístas ou libelos sentimentais), agora intensificado e desrecalcado, há de se constatar uma certa fascinação pelo espetáculo da violência como frisson compensatório em uma situação de impotência política agudizada (algo que já se observava com a onda de adolescentes bradando em redes sociais “Stalin matou foi pouco!” etc.). Refletindo sobre elogios feitos ao Hamas, notou Matthew Bolton alguns anos atrás que “a expressão de apoio público à violência política (antissemita) direcionada a civis (judeus) parece gerar uma excitação vicária para um certo tipo de esquerdista: um frisson de admiração narcisista pela própria dureza revolucionária, orgulho pelo cultivo da sensibilidade endurecida e da moralidade ‘superior’ necessária para aceitar qualquer morte e destruição necessárias para a busca da causa.”[10] Isso quando não se rebaixa à pura crueldade do gozo ressentido, como no caso da dita especialista (de esquerda) no conflito Israel/Palestina, que publicou a foto da brasileira morta na festa onde ocorreu o ataque, com os ditos: “foi tarde”. Coisas parecidas foram publicadas em várias esferas e em vários lugares, do infeliz PCO ao Black Lives Matter de Chicago [11]. Não deixa de impressionar como, tanto à esquerda como à direita, passa-se muito rápido de um ultra-moralismo hipersensível para uma brutalização grotesca e irrefletida [12].

A celebração à esquerda do massacre do 7/10 [13] espanta também por imaginar-se que tal gigantesca operação militar proposta pelo Hamas teria passado por “instâncias democráticas de decisão” (o que seria impossível) e que portanto haveria um respaldo popular à decisão de realizar um ataque que submeteria a população palestina à mais que previsível tempestade de bombas e mísseis que vem assolando Gaza desde então [14]. É de se perguntar se tais pessoas realmente têm tanto amor pelos palestinos ou se elas só projetam neles seu sonho de destruir Israel como realização da justiça suprema. Uma pesquisa recentemente publicada, com dados coletados antes da guerra, mostra que “de modo geral, os habitantes de Gaza não compartilham o objetivo do Hamas de eliminar o Estado de Israel. […] No geral, 73% dos habitantes de Gaza são a favor de uma solução pacífica para o conflito israelense-palestino. Na véspera do ataque do Hamas em 7 de outubro, apenas 20% dos habitantes de Gaza eram favoráveis a uma solução militar que poderia resultar na destruição do Estado de Israel.”[15] Ora, ideologias também encontram seus limites na realidade material e, como é de se imaginar, nem todo ser humano deixa se convencer pela maravilhosa ideia de se tornar mártir. A mesma pesquisa mostra que somente 29% dos palestinos tinha confiança no Hamas, sendo que entre as classes mais baixas a rejeição era ainda maior. Os dados gerais mostram um ceticismo popular não só em relação ao clã do governo, mas em relação ao aparato político como um todo. O que não impede que, com o caldo de ódio acumulado de uma vida vendo do outro lado da cerca as “aldeias prósperas com água, piscinas e festas”, muita gente tenha espontaneamente embarcado no dia 7 para simplesmente matar, saquear etc. [16]

Do lado israelense da cerca, a tendência bélica, tanto agressiva quanto suicida, alcançou agora com Netanyahu níveis apocalípticos. Para além da ameaça externa permanente, é provável que hoje a maior ameaça a Israel e à sobrevivência dos judeus seja a tendência entrópica de seu regime neomessiânico, que, na mesma medida em que reedita ideais de conquista com suas gangues que matam e aterrorizam árabes palestinos na Cisjordânia, se desenvolve de maneira absolutamente autodestrutiva. No que concerne à postura em relação à Palestina, o que vemos agora é a repetição e reafirmação de uma decisão já tomada, desde o momento em que Netanyahu optou por uma solução tecnocrática e militar ao invés de política para o conflito, que deverá necessariamente ser perpetuada por meio de uma gestão armada de uma população já economicamente supérflua, condenada a viver (e morrer) permanentemente entre bombas, ONGs e milícias, em meio a ruínas e campos de refugiados. Isso em nome de uma “segurança”, que também ela se provou inexistente. A socióloga israelense Eva Illouz observou que Netanyahu, com sua utopia tecnológica da segurança automatizada em Gaza, “transformou o exército num exército de ocupação, treinado para controlar civis em vez de vigiar as fronteiras”, funcionando como um bando de criminosos indiferentes à lei — não por acaso ele há tempos está sendo usado para servir a interesses particulares, inteiramente mobilizado para proteger e apoiar os colonos da Cisjordânia [17]. Há mais de vinte anos atrás, não muito tempo após o assassinato de Yitzhak Rabin, já constatavam dois autores israelenses: “Os israelitas veem o país cada vez mais como um barril de pólvora com a mecha acesa. A maior ameaça para eles não é o terrorismo fundamentalista, nem a guerra com os vizinhos, mas a dissolução a partir do interior […] Quando, numa sondagem Gallup para o jornal Maariv, no segundo aniversário do atentado, se perguntou se o país estaria mais perto da unidade ou da guerra civil, mais do dobro dos israelitas (56 contra 21 por cento) responderam que estaria mais próximo o assassínio fratricida nacional do que a paz interna.”[18]

Hoje quem não está em guerra está se preparando para ela. Talvez o próprio mundo tenha se tornado esse “barril de pólvora com a mecha acesa”, algo que afeta não só os Estados, mas a própria sociedade civil e a opinião pública — quando foi a última vez que se viu algo parecido com a multidão que, com a notícia de que um avião estaria vindo de Tel Aviv, invadiu o aeroporto naquela pequena cidade russa no Daguestão, ultrapassando todos os portões e entrando na pista de aterrissagem, à caça de judeus? Após a era das “guerras de ordenamento mundial”, em que os conflitos armados ganhavam ares de gigantescas operações policiais (e vice-versa: as operações policiais urbanas se militarizaram e ganharam aspecto bélico), parece que, pelo menos desde a guerra na Ucrânia, estamos vendo um retorno dos “velhos conflitos” e o fim da utopia capitalista “pós-nacional” que vigorou a partir de 1990. Mas esses velhos conflitos recuperam sentido justamente em um cenário em que a lógica política pautada pelo mundo do trabalho (isto é, a luta de classes) vai se desmanchando e o apego às identidades nacionais (e seus respectivos mega-blocos) ganha consistência. Para o atual “anti-imperialismo”, que é antes um alter-imperialismo, elites russas e árabes são aliados objetivos, assim como o proletariado israelense e americano são inimigos naturais. No clima de preparação para a guerra, com seus diversos recursos midiáticos de engajamento, quem defender o “derrotismo revolucionário”, tal qual Lenin em 1914, será visto como ingênuo ou delirante anacrônico.

 

Notas

[1] <https://www.nytimes.com/2023/08/18/us/politics/ukraine-russia-war-casualties.html>

[2] <https://hamas.ps/ar/p/18188> Acesso: 20/10/2023

[3] <https://www.reuters.com/world/middle-east/how-secretive-hamas-commander-masterminded-attack-israel-2023-10-10/>

[4] <https://www.reuters.com/article/us-pakistan-protest-cartoons-idUSKBN25V2KJ>

[5] Kurz dizia que o nascente Estado palestino, antes mesmo de se formar, já funcionava como um failed state, tal qual qualquer outro na periferia colapsada do capitalismo global (situação condicionada não só pela dinâmica capitalista geral, mas agravada pela ocupação militar israelense): “O estado-fantasma palestiniano, por conseguinte, é o primeiro que já antes da sua fundação oficial entrou em processo de decomposição e apodrecimento. A formação de um Estado e a sua decomposição coincidem aqui de imediato, o que constitui um paradoxo histórico. Ainda antes que pudesse desenvolver-se um aparelho de Estado abrangente, com legitimação e história próprias, tomam o seu lugar estruturas de clã, senhores da guerra e estruturas mafiosas.” Robert Kurz, “O Médio Oriente e a síndrome do anti-semitismo”, <http://www.obeco-online.org/rkurz256.htm>

[6] É bem conhecido o uso de fármacos por soldados, existe toda uma psiquiatria militar, que no limite não se distingue tanto da nossa psiquiatria voltada para o mundo do trabalho. Alguns jornais noticiaram que também os soldados do Hamas estavam sob efeito de drogas para realizar o ataque (captagon, uma espécie de anfetamina).

[7] Para um estudo sobre a ideia de mártir como sustentáculo ideológico do Hamas, ver por exemplo: Eli Alschech, “Egoistic Martyrdom and Hamas’ Success in the 2005 Municipal Elections: A Study of Hamas Martyrs’ Ethical Wills, Biographies, and Eulogies.” Die Welt des Islams 48 (2008), pp. 23-49.

[8] Christoph Reuter, My Life is a Weapon: A Modern History of Suicide Bombing. Princeton University Press, 2004, pp. 71-72.

[9] Eli Alschech, op. cit.

[10] Matthew Bolton, “Climate catastrophe, the ‘Zionist Entity’ and ‘The German guy’: An anatomy of the Malm-Jappe dispute”: <https://www.academia.edu/108026972/Climate_catastrophe_the_Zionist_Entity_and_The_German_guy_An_anatomy_of_the_Malm_Jappe_dispute>.

[11] No segundo caso, sem o consenso geral do movimento, evidentemente.

[12] À esquerda, foram poucos os que tiveram a mesma grandeza dos zapatistas, fiéis ao horizonte libertário e capazes de dizer o básico contra a pulsão mórbida dos tempos. Nas palavras do Subcomandante Insurgente Moisés: “Ni Hamas ni Netanyahu. El pueblo de Israel pervivirá. El pueblo de Palestina pervivirá.” <https://enlacezapatista.ezln.org.mx/2023/10/16/de-siembras-y-cosechas/>

[13] Tematizada também aqui: <https://passapalavra.info/2023/10/150356/>

[14] Tariq Ali esteve também entre os primeiros que celebraram o mega-pogrom como um “levante”: <https://newleftreview.org/sidecar/posts/uprising-in-palestine>

[15] <https://www.foreignaffairs.com/israel/what-palestinians-really-think-hamas>

[16] <https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2023/10/israel-retraumatiza-criancas-sobre-holocausto-e-constroi-figura-do-inimigo-diz-ativista.shtml>

[17] <https://jornalggn.com.br/oriente-medio/podera-israel-acordar-do-pesadelo-e-fazer-o-certo-por-eva-illouz/>

[18] Karpin, Michael/Friedman, Ina. Der Tod des Jitzhak Rabin. Anatomie einer Verschwörung. Reinbek bei Hamburg, 1998, p. 427, apud Kurz, op. cit.

 

 

Texto publicado originalmente em “Passa Palavra”, 14.11.2023: https://passapalavra.info/2023/11/150653/ . Tradução francesa "Déluge d’Al-Aqsa: Bain de sang, sacrifice et invitation au suicide" em http://palim-psao.over-blog.fr, 01.12.2023: http://palim-psao.over-blog.fr/2023/12/deluge-d-al-aqsa-bain-de-sang-sacrifice-et-invitation-au-suicide-par-felipe-catalani.html. Tradução alemã “Al-Aqsa-Flut: Blutbad, Opfergabe und Einladung zum Selbstmord” em www.exit-online.org, 10.01.2024: http://www.exit-online.org/link.php?tabelle=aktuelles&posnr=883

 

 

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