SEMINÁRIO EXIT! 2026
Na época do neoliberalismo pós-moderno, que se seguiu ao colapso do socialismo do Leste na década de 1990 e que imaginava possibilidades ilimitadas de consumo e liberdade, a ideologia de que «cada um é o artífice da sua própria sorte» encontrou eco até mesmo nas teorias de esquerda, desde a tese da individualização de Beck, que divagava sobre oportunidades e riscos, até uma esquerda hedonista pós-moderna, com o seu foco na cultura pop e na celebração do consumo. Uma generalizada culturalização do social, apesar do desmantelamento do Estado social, era o credo de uma parte não negligenciável da esquerda. As teorias pós-estruturalistas floresceram.
Entretanto a maré já mudou há muito. O mais tardar desde a crise de 2008, a um «neoliberalismo progressista» (Nancy Fraser) seguiu-se um neoliberalismo autoritário à la Trump, AfD, Le Pen, etc. Os movimentos de direita espalharam-se por todo o mundo. Ao «homem comum» tudo parece «dar igual». Muitos não hesitam em arrastar para o abismo não só os «outros», mas também a si próprios, no seu «desejo de destruição» [Zerstörungslust] (Amlinger/Nachtwey). Os media são dominados por tarifas, isolamentos e guerras na Ucrânia e no Médio Oriente, pela inflação e por um aumento exorbitante do custo de vida, mas também pelo calor e pelas alterações climáticas, que a direita descarta como irrelevantes. Neste contexto torna-se cada vez mais visível um darwinismo social conhecido da história. Embora a tendência de direita esteja agora a mostrar fissuras – Orban foi destituído e os resultados das sondagens de Trump são desastrosos –, esta tendência continua em grande medida inabalável. Segundo as sondagens, a AfD é o partido mais forte na Alemanha.
Por isso, no seminário «Exit» deste ano, pretendemos aprofundar o tema da crise mundial, da guinada para a direita e do darwinismo social.
Este seminário realiza-se em cooperação com a Fundação Rosa Luxemburgo da Renânia-Palatinado.
Sexta-Feira, 19h00 – 21h30
Robert Kurz: Condutores na contramão da história (apresentado por Herbert Böttcher)
No seu ensaio “Condutores na contramão da história”, publicado em 1993, Robert Kurz trata do surgimento de maciços nacionalismo e patriotismo renovados após a reunificação alemã. Mostra aqui a contradição entre um “anything goes” pós-moderno na sociedade de diversão da época e uma mania de identidade neonacional no seu contexto interno. Em ligação com isto critica uma esquerda que, após o colapso do Bloco de Leste, se cansou de ser de esquerda, desertou para a liberdade de mercado e para o pós-modernismo, mas também para o nacionalismo. Demonstra também que o pensamento de direita e o pensamento marxista tradicional convergiam em termos de nacionalismo e de amor à pátria, chegando mesmo a formar uma identidade, sobretudo no que diz respeito a atitudes autoritárias. Deixa claro que a nação só surgiu no século XIX, através da mercadoria e do dinheiro, sendo portanto um produto histórico e não um facto ontológico, que entretanto está a ser minado pela relação de mercado mundial. Mas essas contradições são ignoradas. O discurso nacional e neopatriótico remete para a globalização do económico, a qual se torna o carrasco do social. O recurso ao Estado-nação é uma tentativa fútil de gerir a crise de forma imanente – daí o título “Condutores na contramão da história”. Ele já não existe económica e culturalmente na sua forma tradicional e as suas funções não foram substituídas. Neste contexto, Kurz faz também uma breve descrição da situação económica da época. As pessoas agarravam-se ao trabalho assalariado industrial, sabendo que já não eram necessárias. Os socialmente desfavorecidos e as minorias eram excluídos e a vida quotidiana era brutalizada. Kurz também tematiza um vazio indivíduo do mercado, no qual surge uma saudade do passado. Portanto para vencer a crise tem de se ir além do conhecido, além de um marxismo da luta de classes e de um pensamento de direita e esquerda que se sobrepõem em grande parte.
Sábado, 10h00 – 12h30
Roswitha Scholz
Uma nova fase de decadência do capitalismo… Sobre a evolução das relações sociais (mundiais) desde 2008.
Desde o colapso de 2008 muita coisa mudou; sim, o capitalismo entrou numa nova fase de decadência – tal é a tese aqui defendida. Verificam-se inúmeras distorções: «Já não consigo perceber nada» é, por isso, uma afirmação que se ouve com frequência. Na palestra serão apresentadas teses sobre a evolução social (mundial) desde o colapso de 2008, cujo ponto de partida na análise da forma é a crítica do valor-dissociação, desenvolvida ao longo de décadas. Neste contexto serão questionados nomeadamente os pressupostos do marxismo vulgar relativos aos «interesses que orientam a acção». Embora esta questão seja perfeitamente legítima num sentido analítico, tem de ficar claro a que nível se refere. Pois «a racionalidade capitalista do que se designa por interesses, incluindo os interesses secundários ‘políticos’ ou jurídicos, sempre se refere apenas à lógica do processo de valorização e dos seus procedimentos objectivados, ditados pela concorrência». Este «contexto sistémico, no entanto, é ele próprio altamente irracional: a valorização do capital representa um fim em si abstracto, desacoplado de todas as necessidades humanas, que acaba por dar azo a uma acção autodestrutiva» (Robert Kurz: A Guerra de Ordenamento Mundial, p. 245). Esta irracionalidade assume uma nova qualidade após 2008 e os esforços de desglobalização que se seguiram. Poder-se-ia até dizer que ela atinge o seu auge.
Evidencia-se a contradição: após o colapso de 2008, já não é possível continuar como antes; por isso, tenta-se controlar a globalização através de medidas de desglobalização, nacionalização etc. O que, porém, do ponto de vista económico, muito provavelmente conduzirá ainda mais à crise e ao caos.
Neste contexto, são feitas reflexões fragmentadas a vários níveis: sobre geopolítica e geoeconomia, sobre as guerras por procuração na Ucrânia e no Médio Oriente, sobre o niilismo e a pulsão de morte nos dias de hoje, sobre uma crítica superficial aos ricos, sobre as actuais tendências fascistas, relações de género etc.
Sáb. 15h30 – 18h00
JustIn Monday
A soberania da Internacional Identitária
Assim como uma teoria crítica da actual «Nova Direita» não pode prescindir de recorrer aos textos clássicos de Adorno, Horkheimer e Marcuse, esses textos necessitam, por sua vez, de uma actualização. Não porque devam ser relativizados hoje à luz de «novos conhecimentos», mas porque também o pensamento reaccionário, por mais que disfarce pretensões de poder eternas, acompanha o seu tempo. Um ciclo de crise histórico após o nacional-socialismo, o pensamento étnico já não pode, portanto, girar tanto em torno do «povo» e da «raça» nem estar orientado para o poder autoritário do Estado nacional, como era o caso naquela época. O discurso actual sobre soberania e identidade está, por isso, impregnado de reflexões sobre o facto de que, hoje, não é uma totalidade de capitais nacionais que se encontra em crise, mas sim o capital mundial, que transnacionalizou a sua soberania. Na palestra, pretende-se tanto reconstruir a génese histórica desta constelação como analisar a forma actual que ela assumiu com o segundo mandato de Trump.
Sábado, a partir das 19h, Assembleia Geral
Domingo, 10h00
Peter Bierl
A eliminação dos fracos
Quando todos estão em concorrência entre si, sendo os vencedores e os vencidos constantemente seleccionados, o darwinismo social passa a fazer parte da semiconsciente religião do quotidiano. A vida é a base das ideologias e práticas correspondentes, que foram formuladas e postas em prática no século XIX. O mortífero ponto culminante foi a esterilização forçada e o assassinato de algumas centenas de milhares de pessoas durante o regime nazi.
A ideologia não foi formulada por conservadores, mas sim por autores e autoras seculares liberais, de esquerda e feministas, que visavam um «desenvolvimento superior» biológico da humanidade. Entre os seus descendentes conta-se o bioeticista australiano Peter Singer, que rotula pessoas com deficiência, doentes com demência e recém-nascidos como pessoas de segunda classe e recomenda a eutanásia como forma de alívio, mas também para poupar dinheiro. O social-democrata Thilo Sarrazin afirmou que os migrantes e os beneficiários do Hartz IV teriam material genético inferior.
Durante a pandemia de COVID-19, o presidente da Câmara de Tübingen, Boris Palmer, declarou que as medidas contra o vírus apenas salvariam pessoas que, devido à sua idade, de qualquer modo morreriam em breve. O vírus não era assim tão grave; quem estava em risco eram sobretudo os idosos, escreveu Anselm Lenz, organizador dos primeiros protestos dos «conspiracionistas». Também a catástrofe climática, como consequência do sistema económico capitalista, mata neste país em primeiro lugar pessoas idosas e doentes, como se verifica nas ondas de calor do Verão.
O orador Peter Bierl esboça na sua palestra o antigo e o novo darwinismo social e as suas causas. Bierl trabalha como jornalista independente. Publicou recentemente «Antisemitismus. Einführung in Geschichte und Theorie [Antissemitismo. Introdução à História e à Teoria]» (2026), «Einmaleins der Kapitalismuskritik [ABC da Crítica do Capitalismo]» (nova edição de 2025), «Unmenschlichkeit als Programm [A Desumanidade como Programa]» (2022) e «Die Legende von den Strippenziehern. Verschwörungsdenken im Zeitalter des Wassermanns [A Lenda dos Manipuladores. O Pensamento Conspiratório na Era de Aquário]» (2021).
Familien- und Jugendgästehaus [Casa de Hóspedes para Famílias e Jovens]
Festung Ehrenbreitstein [Fortaleza de Ehrenbreitstein]
56077 Koblenz
Telefone: +49 261 97287-0
Fax: +49 261 97287-30
Estão disponíveis 14 quartos individuais (2 noites por pessoa 143 euros), bem como 3 quartos com 2 camas (2 noites por pessoa, 113 euros).
O pagamento é efectuado no local. Por favor, traga o dinheiro em numerário. Informe-nos também se deseja ou não refeições vegetarianas.
Inscrições em: seminar@exit-online.org.
Como chegar de carro:
Através da Greifenklaustraße chega-se ao parque de estacionamento da Fortaleza de Ehrenbreitstein. Tenha em atenção que, caso suba a colina vindo da direção de Ehrenbreitstein, o seu sistema de navegação não o encaminhará pela estrada da montanha, uma vez que a passagem está bloqueada por um poste no final.
À entrada do parque de estacionamento da fortaleza, retire um bilhete e procure qualquer lugar de estacionamento livre.
Para chegar ao Albergue da Juventude, utilize a entrada principal da fortaleza. Os nossos hóspedes constam de uma lista de convidados e têm entrada gratuita no recinto da fortaleza – por favor, indique o seu nome ao segurança ou apresente a sua confirmação de reserva.
Para chegar ao Albergue da Juventude, siga, após o torniquete, as 3 faixas de orientação para cegos à esquerda no chão. Assim que estas terminarem, continue em frente pela praça (Oberer Schlosshof) em direcção à grande fachada de vidro do «Kuppelsaal». Assim que passar pelo edifício à direita, verá já à esquerda a entrada do Albergue da Juventude.
Para sair do parque de estacionamento, valide o seu bilhete na máquina de pagamento automático.
Na secção «Selecção de produtos», existem vários tipos de bilhetes disponíveis para os nossos hóspedes.
Com um bilhete de vários dias, pode sair do parque de estacionamento quantas vezes quiser durante a sua estadia e utilizar o mesmo bilhete para voltar a entrar.
1 – 2 dias (até 48 horas) 20,00 € / 3 dias (72 horas) 30,00 € / cada dia adicional (+ 24 horas) +10,00 €. Cada hora adicional para além deste período: +2,00 €.
Em alternativa, pode estacionar no elevador da fortaleza (elevador inclinado) da Koblenzer Verkehrsbetriebe. Este encontra-se em «Vor dem Sauerwassertor 13».
Uma vez que os lugares de estacionamento são limitados, é necessário que nos consulte por e-mail sobre a disponibilidade antes da sua chegada e que reserve um lugar de estacionamento através de nós. Receberá posteriormente todas as informações adicionais por e-mail.
Os lugares de estacionamento junto ao elevador da fortaleza custam 4,50 € por dia e por automóvel. Além disso, é necessário adquirir um bilhete para o elevador da fortaleza por pessoa. Pode adquiri-lo através do botão «DJH» diretamente na máquina de bilhetes da estação inferior.
Um bilhete de 24 horas custa 3,00 € por pessoa (crianças dos 7 aos 14 anos e estudantes até aos 18 anos pagam 1,50 €) e permite um número ilimitado de viagens durante esse período. As crianças até aos 6 anos, inclusive, não pagam.
O elevador está adaptado para cadeiras de rodas, carrinhos de bebé ou para o transporte de até 2 bicicletas.
Como chegar de autocarro:
A partir da estação central (HBF), as linhas 9 ou 10 vão até à paragem «Festungsaufzug/DJH». Com o seu bilhete de autocarro, pode utilizar o elevador da fortaleza uma vez gratuitamente, premindo o botão «VRM» na máquina de bilhetes automática. Para a descida, terá de comprar um bilhete na estação superior.
Como chegar a pé ou de bicicleta:
O Albergue da Juventude fica mesmo junto ao Rheinsteig. A partir do bairro de Ehrenbreitstein, existe um percurso pedonal que parte do Museu do Reno, passando pelo «General-Aster-Weg» e pelo «Felsenweg», até ao Albergue da Juventude. De bicicleta, utilize apenas o Felsenweg. A entrada situa-se na B42.
Original 9.-11.10.26, Koblenz, exit-Seminar: Weltkrise – Rechtsruck – Sozialdarwinismus, in: www.exit-online.org, 25.08.2026. Tradução de Boaventura Antunes