O Partido da Esquerda e a sua «ala»
Thomas Meyer
Após a sua última cisão, durante algum tempo parecia que o Partido da Esquerda iria desaparecer no esquecimento. Surpreendentemente conseguiu ainda dar a volta por cima, e isso através de um populismo por vezes patético, que ignora completamente a realidade da crise e no fundo pouco difere do populismo de uma Wagenknecht (a habitual crítica aos capitalistas em vez de ao capitalismo).1 Ora a clara oposição à aproximação de Friedrich Merz à AfD2 não foi de modo nenhum a única razão pela qual o Partido da Esquerda ganhou apoio. Como vários membros do partido admitiram, «Gaza» desempenhou um papel importante (sobretudo na campanha eleitoral em Berlim/Neukölln). Para alargar o seu potencial eleitoral, este partido ofereceu assim um lar político também a anti-semitas e a quem odeia Israel. Alguns combatentes solitários, como Gregor Gysi, Bodo Ramelow ou Andreas Büttner, criticaram repetidamente esta situação (este último já abandonou entretanto o Partido da Esquerda), mas tais críticos são rapidamente hostilizados, ameaçados ou atacados!3
O anti-sionismo, ou seja, o anti-semitismo relacionado com Israel, há muito que «já não é um fenómeno marginal» neste partido (embora seja duvidoso se até agora foi realmente apenas um fenómeno marginal). Com isso, «[a esquerda] revela a sua verdadeira face», como escreve o Jüdische Allgemeine (Daniel Neumann em: JA n.º 13/26 de 26.03.2026). O facto de o anti-semitismo de esquerda ser negado não é realmente nada de novo, mas a dimensão que este atingiu ultimamente (pelo menos desde o 7 de Outubro) é chocante (e estas marchas anti-semitas, como se pode ver repetidamente, não tinham nem têm com toda a certeza nada a ver com uma crítica à política israelita, à condução da guerra ou ao extremismo de direita israelita). No entanto isto não deveria surpreender ninguém. Já em 2024, uma moção foi alterada de tal modo que foi suprimida a menção explícita aos chamados «esquerdistas» que saíram à rua juntamente com apoiantes do Hamas e entoaram slogans anti-semitas contra Israel, o que levou vários membros proeminentes e não proeminentes a tirarem as suas conclusões e a abandonarem o partido.4 A referência a uma definição de anti-semitismo que incluísse explicitamente o anti-semitismo relacionado com Israel foi também rejeitada pela maioria do partido, uma vez que aparentemente não se quis prejudicar a relação com aquela «multidão crítica de Israel» nas suas próprias fileiras, não querendo deixar de apoiar a campanha anti-semita do movimento BDS [Boicote, desinvestimento e sanções] (em Maio de 2025, uma maioria no congresso do Partido da Esquerda em Chemnitz aderiu à «Declaração de Jerusalém sobre o Anti-semitismo»).5 E assim continuou: Com grande orgulho, em Março de 2026, o Partido da Esquerda da Baixa Saxónia anunciou ser a «primeira federação regional anti-sionista». Na Baixa Saxónia/Osterholz-Scharmbeck, Yunus Cakar, apologista do regime terrorista islâmico no Irão, concorre ao cargo de presidente da câmara6 (entretanto, o partido distanciou-se).7
Toda esta miséria lembra a trajetória da AfD e a continuada ascensão à hegemonia da ala de Höcke. A AfD ofereceu um lar político aos radicais de direita e aos reaccionários burgueses (sobretudo àqueles para quem a CDU se tinha tornado «demasiado de esquerda»), pelo que não é de admirar que essas pessoas tenham aderido a este partido e feito carreira. Embora o partido inicialmente não fosse de extrema-direita, não foi capaz de se impor ideologicamente contra os seus próprios extremistas de direita, uma vez que, devido ao já desenfreado extremismo do centro, havia e ainda há obviamente demasiadas sobreposições ou pontos de ligação (darwinismo social, entre outros) com este (ainda que, para ser justo, seja preciso mencionar que alguns moderados tentaram opor-se às tendências fascistas da AfD).8 Em vez disso houve evasivas e apaziguamentos, e acabou por se a facilitar o trabalho ao extremismo de direita. De qualquer modo os neonazis conseguiram impor-se ao longo dos anos sem grandes problemas (não menos importante graças ao trabalho preparatório de extremistas neoliberais do centro, como Bernd Lucke).9 O balbuciar da liderança do Partido da Esquerda lembra as desculpas da AfD (a imprensa tendenciosa, casos isolados, não foi essa a intenção, por favor, sejam mais subtis).10 E apropriadamente o anti-semitismo não foi designado como anti-semitismo; em vez disso aparentemente preocupavam-se sobretudo com o facto de os próprios camaradas poderem ser «ofendidos» como anti-semitas e sentirem-se magoados.11 Embora, ao contrário do que acontece com a AfD, aqui pareça desempenhar um papel menor uma autobanalização estratégica, por exemplo, para deslocar os limites do dizível.12 Trata-se aqui mais de um embrutecimento intelectual e de cegueira moral ou mesmo de incapacidade mental? Pois estamos perante uma «esquerda» que nunca conseguiu emancipar-se da sua visão maniqueísta e primitiva do mundo e que há muito já nada tem a contribuir para uma análise e crítica da situação intelectual e político-económica da época!13 De facto, é difícil, ou mesmo impossível, distinguir o ódio a Israel da extrema-direita do da extrema-esquerda.14 Uma «esquerda» deste tipo afastou-se definitivamente de qualquer pretensão emancipatória e humanista.15
Quando se criticam pseudo-esquerdistas autoritários e reaccionários (ou mesmo fascistas pintados de vermelho), que estão longe de se limitar ao Partido da Esquerda (basta pensar na revista Jacobin, fortemente anti-sionista, ou no sectário Junge Welt, que dá voz a anti-semitas como Francesca Albanese16 ou Hasan Piker17 – que torturou o seu próprio cão diante das câmaras18 – e no meio cultural moralmente decadente19), então críticos como Nicholas Potter, que escreveu um livro inteiro sobre esta esquerda neo-autoritária, recebem ameaças de morte.20
Para alguns esta evolução é claramente uma confirmação da chamada «teoria do extremismo». A AfD gosta de falar aqui de um «anti-semitismo importado», sobretudo porque o Partido da Esquerda tem não poucos membros com antecedentes migratórios (e alguns são de facto anti-semitas). É verdade que o anti-semitismo foi também importado pela imigração e pelos refugiados, mas esta constatação serve à AfD para negar o anti-semitismo alemão, que nunca desapareceu,21 e para fazer agitação racista contra migrantes e refugiados ou muçulmanos. Uma posição que não contribui para o fascismo é a luta contra o anti-semitismo e contra o racismo22 (como, por exemplo, a «Esquerda Ecológica» em Frankfurt am Main).23 O anti-semitismo é particularmente acentuado na AfD, por exemplo, sob a forma de revisionismo histórico.24 O Partido da Esquerda e também outros grupos de «esquerda» localizam o anti-semitismo quase exclusivamente entre os radicais de direita, mas nunca em si próprios, nem entre muçulmanos ou islamistas. Os representantes do centro burguês, por outro lado, frequentemente apenas notam o ódio aos judeus nas extremidades políticas, e não no seu próprio meio nem entre os cristãos.25 Se alguém se enfeita com slogans como «contra todo o anti-semitismo», então deveria pelo menos levar a sério o ódio aos judeus nas suas diversas manifestações!26
São necessárias medidas, com ou sem representação parlamentar, para melhorar substancialmente a vida dos trabalhadores pobres, dos pobres em geral ou das pessoas em situação de precariedade. Uma política deste tipo teria de incluir pontos como habitação a preços acessíveis, cuidados de saúde, centros urbanos atraentes e bonitos,27 e a proibição de despejos forçados. Agora seria necessário apontar os limites de uma política deste tipo28 (que afinal continua a depender de um capitalismo rentável) e, no entanto, levantar uma oposição decidida contra a política reaccionária de exploração e exclusão vinda de cima, ou seja, por exemplo, da CDU, entretanto virada AfD-Light, que pretende impor os fardos da crise à população trabalhadora e desempregada através do prolongamento dos horários de trabalho, da campanha de difamação contra os chamados «objectores de consciência totais» e da demagogia contra os trabalhadores a tempo parcial, entre outras coisas.
É esta política de austeridade alemã e tacanha que se ilude a si própria, pensando que pode resolver problemas estruturais fundamentais da economia através da repetição do mesmo de sempre, acreditando que poderá continuar a ter sucesso no futuro com o modelo económico alemão baseado em salários baixos e na orientação para a exportação, com uma teimosia quase absurda em manter o antigo. Que ridículo que todos os partidos se iludam a formar um bloco contra a AfD «antidemocrática», no sentido de uma oposição humanista contra a propaganda misantrópica dos seus adversários de extrema-direita (ou em parte dos seus concorrentes políticos)! Só podemos afastar-nos com repulsa deste elogio acrítico da democracia realmente existente, ou seja, do Estado democrático actual (e na verdade pouco mais se ouve do que frases vazias e palavras sem sentido), que de qualquer modo está a ser cada vez mais esvaziado29 e que age de forma autoritária e em parte arbitrária30 (aparentemente seguindo o lema: «Pune um, educa 50 000!»)! Os governos democráticos tornam-se autoritários mesmo sem extremistas de direita, como o de Baden-Württemberg, que decidiu utilizar a IA de vigilância e repressão, a Palantir de Peter Thiel!31 E depois há ainda a mania de militarização galopante, que se torna cada vez mais atrevida e descarada! (Será que em breve voltará a existir o crime de «fuga da República»?32). De que serve todo este debate sobre a «barreira de protecção», se afinal, para implementar o seu regime autoritário, a AfD só tem de utilizar e assumir o que já existe, o que os chamados democratas já começaram (por exemplo, a «guerra cultural» do ministro da Cultura, Wolfgang Weimer33), instalaram e decidiram antes dela?! Uma força parlamentar de esquerda contra isso seria sem dúvida algo muito sensato, embora não seja a panaceia.34 O ódio aos judeus e a colaboração (intelectual) com islamistas devem ser deixados para os radicais de direita!35 É portanto mais do que tempo para a próxima cisão do Partido da Esquerda! Mas o mais provável é que o Partido da Esquerda siga um percurso semelhante ao da AfD (à excepção do sucesso eleitoral).36 De qualquer modo é duvidoso que o Partido da Esquerda consiga livrar-se da sua ala anti-semita.
1. https://www.konicz.info/2026/04/02/populistische-krisensackgasse/. Em Português: http://obeco-online.org/tomasz_konicz67.htm
2. https://www.juedische-allgemeine.de/politik/ist-das-der-riss-in-der-brandmauer/?q=Schultheis%20Merz%20Afd.
3. https://www.rbb24.de/politik/beitrag/2026/01/brandenburg-templin-antisemitismus-beauftragter-buettner-anschlag.html.
4. Por exemplo, https://taz.de/Austritte-bei-der-Linken/!6042507/.
5. Cf. a este respeito: Lars Rensmann: «Keine Judenfeindschaft, nirgends? Die »Jerusalemer Erklärung« und die Antisemitismusforschung» [«Não há anti-semitismo em lado nenhum? A «Declaração de Jerusalém» e a investigação sobre o anti-semitismo»], em: Stephan Grigat et al.: Erinnern als höchste Form des Vergessens? (Um)Deutungen des Holocaust und der »Historikerstreit 2.0« [A memória como forma suprema de esquecimento? (Re)interpretações do Holocausto e a «Controvérsia dos Historiadores 2.0»], Berlim 2023, 409-437.
6. https://taz.de/Niedersachsens-Linke-und-Antisemitismus/!6163599&s=iran%2BLinke%2BPartei/.
7. https://taz.de/Diskussion-um-Kandidaten-der-Linken/!6166253/.
8. Como, por exemplo: Nicolai Boudaghi & Alexander Leschik: Im Bann der AfD. Chats, Worte, Taten. Zwei Kronzeugen berichten [Sob o feitiço da AfD. Conversas, palavras, acções. Duas testemunhas-chave contam a sua história], Munique 2021. Estas duas testemunhas-chave fizeram a única coisa certa e saíram da AfD.
9. Cf. Andreas Kemper: Wie faschistisch ist die AfD? [Quão fascista é a AfD?], em: https://www.rosalux.de/fileadmin/rls_uploads/pdfs/Manuskripte/Manuskripte17_3teAufl_web.pdf.
10. Sobre isto, Tobias Huch: Die Linke ignoriert weiter ihren Judenhass! [A Esquerda continua a ignorar o seu ódio aos judeus!], https://www.youtube.com/watch?v=-bJc86qWABg.
11. https://jungle.world/artikel/2026/13/bloss-nicht-die-ente-eine-ente-nennen.
12. Cf. Katja Bauer & Maria Fiedler: Die Methode AfD. Der Kampf der Rechten: Im Parlament, auf der Straße – und gegen sich selbst [O método AfD. A luta da direita: no parlamento, na rua – e contra si mesma], Estugarda 2021.
13. https://www.konicz.info/2022/10/06/opportunismus-in-der-krise/. Em Português: https://www.konicz.info/2022/11/09/oportunismo-na-crise/
14. Cf. Sabine Beppler-Spahl: Links und rechts vereint im Hass auf Israel [Esquerda e direita unidas no ódio a Israel], novo de 21.02.2024, https://www.novo-argumente.com/artikel/links_und_rechts_vereint_im_hass_auf_israel. Ver também: id.: Die Linkspartei und ihr Israel-Problem [O Partido da Esquerda e o seu problema com Israel], novo de 21.05.2025, https://www.novo-argumente.com/artikel/die_linkspartei_und_ihr_israel_problem.
15. Ver, por exemplo: Norbert Walz: Verdrängte Philosophie. Zur Bedeutung deiner Metatheorie von Marx’ Kritik der politischen Ökonomie [Filosofia Reprimida. Sobre o Significado de uma Metateoria da Crítica da Economia Política de Marx], Estugarda 2025.
16. Sarah Maria Sander: Francesca Albanese: UN-Amt als Bühne für Israel-Hass und Antisemitismus [Francesca Albanese: Cargo na ONU como palco para o ódio a Israel e o anti-semitismo, https://www.youtube.com/watch?v=AcbOC—pwrg. Ver também: https://www.juedische-allgemeine.de/meinung/ein-publikum-wie-eine-sekte-so-war-francesca-albaneses-auftritt-in-berlin/.
17. https://www.youtube.com/watch?v=FkBk8DteFfI.
18. https://www.youtube.com/watch?v=_szB0HIz7Zk.
19. Cf., por exemplo, o comentário de Sarah Maria Sander: https://www.youtube.com/watch?v=4f89ucvBOvg.
20. Por exemplo, https://www.youtube.com/watch?v=SvWnC0wfpHQ e https://www.youtube.com/watch?v=szuY5mD-37E.
21. Ver Ronen Steinke: Terror gegen Juden. Wie antisemitische Gewalt erstarkt und der Staat versagt. Eine Anklage [Terror contra judeus. Como a violência anti-semita se intensifica e o Estado falha. Uma acusação], Berlim 2022, 139ss.
22. Ver também: Lothar Galow-Bergemann: Antimuslimisches Ressentiment und linke Versäumnisse in der Islamdebatte, [Ressentimento antimuçulmano e falhas da esquerda no debate sobre o Islão], Von Tunis nach Teheran de 29.5.2019, https://jungle.world/blog/von-tunis-nach-teheran/2019/05/antimuslimisches-ressentiment-und-linke-versaeumnisse-der.
23. https://oekologische-linke.de/.
24. Cf. Stefan Dietl: Antisemitismus und die AfD [O anti-semitismo e a AfD], Berlim 2025.
25. Segundo o filólogo do Talmude e historiador Hyam Maccoby, existe uma maior continuidade entre o ódio cristão pré-moderno aos judeus e o anti-semitismo moderno do que se supõe geralmente: Hyam Maccoby: Der Antisemitismus und die Moderne. Die Wiederkehr des alten Hasses [O anti-semitismo e a modernidade. O regresso do velho ódio], Berlim/Leipzig 2020, publicado pela primeira vez em Nova Iorque Antisemitism and Modernity. Innovation and Continuity, 2006. Ver também: Tilman Tarach: Christliche Wurzel des modernen Antisemitismus und Antizionismus [Raízes cristãs do anti-semitismo e do anti-sionismo modernos], 30.08.2024, https://www.youtube.com/watch?v=3oFSWHwJKj8.
26. Cf.: Marx Grimm, Bodo Kahmann (eds.): Antisemitismus im 21. Jahrhundert [Anti-semitismo no século XXI], Berlim/Boston 2020; Hyam Maccoby: Der Antisemitismus und die Moderne. Die Wiederkehr des alten Hasses [O anti-semitismo e a modernidade. O regresso do velho ódio], Berlim/Leipzig 2020, publicado pela primeira vez em Nova Iorque Antisemitism and Modernity. Innovation and Continuity, 2006. O mesmo se aplica, naturalmente, também ao racismo: ver Wulf D. Hund: Negative Vergesellschaftung. Dimensionen der Rassismusanalyse [Socialização negativa. Dimensões da análise do racismo], Münster 2006.
27. https://www.ardsounds.de/episode/urn:ard:section:38cf996bf2ff4fa0/.
28. Cf. Robert Kurz: Das Ende der Politik. Thesen zur Krise des warenförmigen Regulationssystems, 1994, https://www.exit-online.org/das-ende-der-politik-thesen-zur-krise-des-warenfoermigen-regulationssystems/. Em Português: O fim da política. Teses sobre a crise do sistema de regulação da forma da mercadoria, online: http://www.obeco-online.org/rkurz105.htm
29. Cf. Maximilian Pichl: Law statt Order. Der Kampf um den Rechtsstaat [A lei em vez da ordem. A luta pelo Estado de direito], Frankfurt 2024.
30. https://www.youtube.com/watch?v=OapuRUysqbA.
31. https://www.swr.de/swraktuell/baden-wuerttemberg/landtag-beschliesst-nutzung-von-palantir-100.html.
32. Matthias Monroy: https://www.nd-aktuell.de/artikel/1198778.ausreiseerlaubnis-neue-wehrpflicht-pflicht-entdeckt.html.
33. https://jungle.world/artikel/2026/13/weimers-missverstaendnisse.
34. Cf. Robert Kurz: O Fim da Política. Teses sobre a crise do sistema de regulação mercantil, 1994, https://www.exit-online.org/das-ende-der-politik-thesen-zur-krise-des-warenfoermigen-regulationssystem/. Em Português: O fim da política. Teses sobre a crise do sistema de regulação da forma da mercadoria, online: http://www.obeco-online.org/rkurz105.htm
35. https://www.novo-argumente.com/artikel/links_und_rechts_vereint_im_hass_auf_israel.
36. https://www.konicz.info/2026/04/02/populistische-krisensackgasse/. Em Português: http://obeco-online.org/tomasz_konicz67.htm
Original “Die Linkspartei und ihr ›Flügel‹” in exit-online.org, 24.04.2026. Tradução de Boaventura Antunes